“After Life”– Sobre a importância de aprender a lidar com a morte

Ricky Gervais presenteia-nos uma vez mais com a sua genialidade em “After Life”, uma nova série da Netflix, escrita e realizada pelo próprio, que estreou no passado dia 8 de março.

A série conta a história de Tony, um jornalista que acabou de perder o amor da sua vida. Depois de 25 anos de vida em comum, um cancro pôs fim à vida de Lisa, e mesmo antes de morrer, para garantir a sobrevivência do cônjuge, fez-lhe um guia em vídeo para que ele aprendesse o básico para sobreviver no dia-a-dia. Entre as peripécias da série, podemos contar com as constantes idiotices irrefletidas de Tony, frequentemente travadas pela sua cadela, um cunhado preocupado e que o tenta animar, as visitas diárias ao lar de idosos onde está internado o seu pai, o psicólogo descompensado que não ajuda em nada, entre outros.

No fundo, a trama centra-se no doloroso processo de autoconhecimento, aprendizagem e reconstrução de Tony, que aparenta recusar-se a lidar com a dor da morte, uma situação que faz parte da vida! A qualquer altura da nossa existência passaremos, decerto, por perdas e a recuperação da ausência de alguém nunca é linear ou previsível. A história oferece-nos ainda diversas perspetivas sobre como lidar com a perda, bem como acerca de outras questões, abordadas de forma mais superficial, como o bullying, o consumo de drogas ou a prostituição.

Cruzei-me com o Ricky Gervais em “Extras” e “The Office”, séries que via religiosamente em miúda na Britcom, da RTP2. Quem conhece o seu trabalho sabe da sua forma muito peculiar e única de abordar questões corriqueiras, por isso não fiquem à espera de um humor evidente e fácil, para encantar as massas. Contem mais com uma abordagem sagaz, inteligente e irónica da vida, que certamente vos fará refletir acerca do vosso quotidiano.

Trata-se de uma série bastante bonita e fácil de se ver, com a qual podemos aprender umas quantas coisas. Há alturas em que a vida parece não ter rumo e nos sentimos perdidos, mas como diz o Tony, algures no último episódio, “You can’t change the world, but you can change yourself.”.