Violência conjugal – Quantas mais têm de morrer?

Dia dos namorados, presentes, mãos dadas, jantares à luz das velas… Vamos aproveitar esta data para falar de coisas realmente importantes.

Hoje ainda só é dia 14 de fevereiro e já se registaram este ano em Portugal nove mulheres assassinadas às mãos de quem supostamente amavam. E de certeza que outras tantas se mantém no silêncio, aguentando uma relação abusiva, por medo de aumentar as estatísticas. Quantas mais têm de morrer? Quantas mais serão necessárias noticiar para que isto pare?

Durante alguns meses da minha vida também suportei uma relação deste tipo. Não era um namoro, dizia ele, mas convivíamos com os amigos um do outro e comportávamo-nos como um casal. Notava que ele sentia constante necessidade de ser superior, oprimia-me, rebaixava-me e punha-me muitas vezes a chorar sem motivos válidos, fazendo-me sentir culpada de coisas insignificantes. Nunca me violentou fisicamente, atenção, mas não foi por isso que as marcas foram menores. Traiu-me duas vezes. Da primeira culpabilizou-se e pediu desculpas, chorando como uma criança. Da segunda fez-me sentir responsável pelo que ele fez. Já tínhamos dado tudo por terminado, mas ele insistia em que saíssemos de vez em quando porque queria manter uma amizade. Ele arranjou uma namorada, que apoiei desde o primeiro momento, mas se eu lhe falava que tinha saído com alguém, ficava furioso e chegou a chamar-me “puta”.

Felizmente já passaram uns anos e eu tive a coragem e a maturidade para o eliminar da minha vida. A ele e a todas as pessoas tóxicas que fui apanhando e que achei, em tempos, que me trariam algo de bom, mesmo quando já me começavam a fazer muito, muito mal. E não é fácil conseguir levar isto a cabo. Nada fácil.

Custa-me saber que tantos homens e mulheres não se conseguem libertar desta espiral de terror provocada por pessoas abusivas. Tenho amigos e amigas que passaram ou passam por isto e sinto-me impotente porque nem sempre consigo fazer algo para os ajudar, uma vez que criaram em torno daquela relação um conto de fadas que não existe. E que ninguém conseguirá pôr termo a não ser que eles queiram.

Se controla a tua roupa ou o que fazes com o teu cabelo, algo não está bem. Se te impede de te relacionares com alguém, sem motivo lógico, algo não está bem. Se vasculha no teu telemóvel ou nas tuas coisas à procura de fantasmas, algo não está bem. Se desvaloriza os teus sentimentos, medos e ansiedades, algo não está bem. Se te mente e desvaloriza a situação, algo não está bem. Se te faz chorar e sentir inferior, algo não está bem.

Ainda subsiste a ideia que violência doméstica, ou no namoro, só existe quando há agressão física. E é evidente que isso não é verdade. Abusos psicológicos podem deixar mazelas tão ou mais graves, condicionando o comportamento de uma pessoa para a vida. Importa educar sobre este assunto. Adultos e crianças. Todos. Ou muitos mais morrerão em 2019.

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