Earth: One Amazing Day – Vale a pena lutar, por todos [5 dias. 5 docs.]

We can see the fragil web that connects us to all living things, and understand that the future of all life lies in our hands

A BBC já nos habituou a uma qualidade fora do normal no que concerne a documentários acerca da vida animal (Como o Planet Earth, por exemplo) e, neste caso, volta a oferecer-nos uma pequena maravilha que nos apresenta, de uma forma única, um dia de vida no planeta mais habitado (até prova em contrário!) do sistema solar. É-nos recordado que vivemos num sítio único, que articula a mágica dança entre o dia e a noite, para nos entregar, sem esperar nada em troca, aquilo que de melhor tem.

A nossa viagem, guiada pela voz de Robert Redford, inicia aos olhos de um pequeno panda, que, muito atrapalhadamente, trepa até uma árvore logo pela manhã, enquanto outros seres – mantas, pinguins, suricatas, zebras, antílopes e muitos mais – congratulam, uma vez mais, o novo dia. Rapidamente somos transportados para outras dimensões da vida nesta maravilhosa esfera azulada, percorrendo os mais diversos cenários, desde a savana africana ao norte extremo do Ártico, para que nos apercebamos da plenitude e imensidão da natureza da qual fazemos parte e que deveríamos contribuir para manter. A uma dada altura dei por mim aos gritos desenfreados para que uma iguana escapasse de uma cobra, ou a ficar fascinada com a dança sensual dos ursos norte americanos contra as árvores. O detalhe dos ruídos e da imagem são absolutamente encantadores e vai-vos transportar para uma dimensão única.

E é justamente este ponto que vos quero recordar. A Terra não precisa de nós. Mas nós, humanos, precisamos dela. Ao não protegermos o ambiente e ao contribuir para a sua cada vez mais rápida degeneração, não estamos a colocar a Terra em risco, mas as formas de vida que dela dependem, ou seja, estamos a colocar em risco a nossa vida. Estamos a descartar a possibilidade de ver, dia após dia, todo e cada detalhe fascinante que a nossa realidade nos pode oferecer. A impedir que milhões de seres possam continuar a ter uma vida feliz, nas suas rotinas, desafios, alegrias e perigos.

Não quero viver num mundo sem estes animais. Sem estas paisagens. Sem estas luzes.

Por favor. Mudemos juntos. Por ela. Por nós.

Before the flood – Será que ainda há tempo? [5 dias. 5 docs.]

Leonardo DiCaprio é uma das mais sonantes vozes mundiais em defesa do clima. Após ter sido nomeado pelo secretério geral da ONU, Ban Ki-moon, Mensageiro da Paz pelas Nações Unidas para as alterações climáticas, o ator não quis deixar nada por dizer, apesar de se mostrar pessimista em relação ao futuro do planeta.

Leo DiCaprio e Ban Ki-moon

Mesmo com todas as evidências de que estamos perante um estado crítico a nível ambiental, ainda existe quem recuse este facto e defenda que as alterações climáticas são uma fraude, um problema inexistente, criado como manobra de diversão. Esta resistência às evidências torna-se mais gritante quando assume a voz de políticos poderosos e figuras influentes capazes de arrastar consigo a inocente credulidade das massas.

O ponto de partida é a exploração de recursos fósseis. Aprendemos na escola que são limitados, sentimo-nos confusos por não se optar por alternativas renováveis, mas com o tempo começamos a compreender – não a concordar – o porquê desta dependência absurda de algo finito e altamente agressivo para o planeta. Os interesses das corporações, a política, os jogos de poder, a expeculação. Todos estes aspetos sobrepõe-se ao mais elementar de todos: a vida. E porquê? Como? O dinheiro roubou o lugar à sensatez e algemou-se à ganância para garantir que tudo e todos desaparecerão precocemente, para que meia dúzia se possa rejubilar com as notas ensopadas em petróleo que arrancaram à sociedade cega e dependente.

A China possui níveis elevadíssimos de poluição atmosférica

A industrialização desmedida da China nos últimos anos é um tópico igualmente importante sob análise neste documentário. Cerca de 9 mil fábricas atormentam a atmosfera e as águas com níveis de poluição sem precedentes. Contudo, apesar da dependência de combustíveis fósseis, é um país cujo esforço em mudar o paradigma se materializa de forma mais evidente do que noutras nações mais desenvolvidas, como é o caso claro dos Estados Unidos. De facto, enquanto nos países mais desenvolvidos a resistência à mudança é maior, nos países em desenvolvimento, se houver vontade nesse sentido, é possível começar do zero de forma a impedir que o desenvolvimento energético desses lugares dependa de fontes menos limpas de energia.

Vista aérea do Ártico

O gelo do Ártico, que até há bem pouco tempo se tratava de uma espessa e robusta camada azul, é agora uma fina crosta que rapidamente se desvanece entre as águas, que aquecem a um ritmo incontrolável. Dentro de 20 anos estará de tal forma frágil que será possível atravessar este extremo do globo de barco sem qualquer entrave por ausência de gelo marinho. Com a desfiguração desta região gelada, surgirão alterações nas correntes marítimas, mudanças de padrões meteorológicos, já para não referir as catástrofes naturais que decorrerão dessa mudança.

Fogo posto em florestas da Indonésia com o objetivo de ceder terreno para produção de óleo de palma

Os oceanos e a pressão exercida pelo ser humano no seu equilibro, a deflorestação e a produção de carne de vaca e as suas consequências práticas, são só alguns dos temas abordados ao longo deste documentário, que nos permite compreender um pouco de cada dimensão envolvida nas alterações climáticas e de que forma está a mudar o mundo em que vivemos a um ritmo incontrolável.

Contrariamente ao Leo, assumo-me como optimista. Ainda assim, reconheço que talvez não consigamos ser suficientemente rápidos para evitar o pior. É imperativo uma mudança drástica de paradigma, sobretudo a nível político e das empresas, para que os efeitos positivos se façam sentir. Cada um de nós tem o poder de mudar a sua rotina e o que se passa em seu redor, e apesar de parecer muito pouco, já é mais do que muitos estão dispostos a levar a cabo.

A Plastic Ocean – Uma séria ameaça à vida [5 dias. 5 docs.]

When in the world can you go anymore and not find plastic?

A imensidão da baleia azul, que fascinou o jornalista Craig Leeson desde pequeno, foi o ponto de partida para a gravação de um documentário em 2011, que o conduziu, entretanto, até um bicho muito maior e muito mais assustador. Por momentos esquecemo-nos qual o assunto do documentário que vamos ver e chegamos a achar que se trata de uma mera exposição da vida marítima das baleias.

As filmagens decorriam na costa do Sri Lanka, no oceano Índico. A zona costeira mais próxima não sofria intervenção humana há mais de 30 anos, portanto, esperava-se que as águas estivessem relativamente limpas. Mas não foi o caso. Cestos de supermercado, garrafas, sacos, sandálias, isqueiros, um pacote de bolachas por abrir! Uma substância esverdeada, oleosa, dominava a superfície das águas. Aquele mar estava longe de estar limpo…

Aterro de plástico em Tuvalu

Os animais marinhos, como o nome indica, vivem nos oceanos. É a sua casa! Fonte de vida, alimento, conforto, que acolhem, simultaneamente, uma quantidade absurda de plástico anualmente. Qual é o maior problema? A sua resistência. O plástico não desaparece, não se degrada. De alguma forma, todo e qualquer plástico alguma vez produzido na história do planeta ainda está ao nosso redor e a cobrir o solo, a espalhar-se pelo mar como se de uma doença imparável se tratasse.

Aterro de lixo em Manila, nas Filipinas

De entre os cenários catastróficos que Craig nos apresenta, também os microplásticos – que muita gente ainda não sabe bem o que é – são contemplados. Tratam-se, nada mais, nada menos, de qualquer fragmento plástico cuja dimensão é inferior a 5 milímetros. Estes pedacinhos encontram-se um pouco por todo lado e anexam-se no tecido dos animais através da respiração ou ingestão, acabando por ser consumidos por nós quando comemos peixe, por exemplo. No fundo, estamos apenas a consumir um problema que produzimos.

Informãção a 1.09h do início do documentário

Através da ingestão de plástico consumimos produtos químicos tóxicos e carcinogéneos, disruptores endócrinos (como ftalatos ou Bisfenol A, comummente conhecido como BPA), metais pesados, entre outros, que podem causar complicações de saúde que vão desde doenças cardiovasculares a anomalias hepáticas, desequilíbrios na tiróide e infertilidade.

Plástico a ser retirado do estomago de uma ave morta
Plástico retirado do estomago de aves

Precisamos assim tanto do plástico? É assim tão difícil para o comum mortal prescindir do plástico no seu dia-a-dia? Na verdade não. É tudo uma questão de educação e de formação. Se as pessoas souberem quais as alternativas que podem adotar para evitar o uso do plástico, é possível inverter esta dependência viciante e tóxica. Façam-se acompanhar sempre de um saco reutilizável de pano (no carro ou na mala não pesam, nem dão por eles). Reutilizem frasquinhos e procurem opções a granel para artigos como leguminosas e cereais. Façam uso das mercearias e levem os vossos próprios sacos de tecido. Ou até mesmo de plástico, se já os tiverem por casa. Substituam os vossos objetos de higiene pessoal, como champôs, gel de banho, pasta de dentes, entre outros, por opções sem plástico, como champôs em barra e sabão ou sabonete, e produzam a vossa própria pasta de dentes. Não têm tempo? Não tem mal. Há imensas lojas que já têm soluções sustentáveis a esse nível.

Este documentário apresenta-nos uma realidade assustadora sob formato de números em relação aos quais é importante tomar consciência, de forma a nos sensibilizar para a mudança. Já tinha visto excertos pela internet que me haviam incomodado imenso. É chocante verificar a quantidade de plástico engolido por um peixe ou uma ave, e arrepia-me pensar no sofrimento pelo qual os bichinhos passam, simplesmente porque precisam de se alimentar. Ainda assim, nem tudo está perdido, não é impossível alterar o panorama atual. Mas é necessário que entremos em pânico, de uma vez por todas, e nos unamos de maneira a conseguir reverter a situação de crise extrema em que nos encontramos.

Wasted Waste – Questionar o capitalismo [5 dias. 5 docs.]

Combater o capitalismo nos dias que correm parece, à primeira vista, uma realidade utópica e que não está ao alcance do comum mortal. Mas desenganem-se! O documentário Wasted Waste, ou Desperdício Desperdiçado, da autoria do português Pedro Serra, apresenta-nos vários protagonistas e várias histórias que nos mostram a realidade do desperdício mundial, como o combater, e diversos bons exemplos que contrariam esta tendência massificada em estragar.

O documentário inicia por nos dar a conhecer algumas pessoas que vivem sob a filosofia do Freeganismo, isto é, uma vida auto-suficiente, que luta contra os princípios do consumismo e do capitalismo e, sobretudo, ausente de exploração humana ou animal. Este é um estilo de vida que me era completamente alheio e me chocou positivamente pela sua simplicidade.

Freegans recolhem comida em bom estado de desperdícios de supermercados

Assuntos como o desperdício alimentar, ou o consumo de electricidade e água são pontos fulcrais abordados ao longo do documentário. Também a política tem direito de antena nesta película, bem como projetos que visam diminuir o desperdício alimentar em Portugal. Bons exemplos dessas iniciativas são o projeto Fruta Feia, a ReFood ou o supermercado Goodafter.

O estilo de vida zero waste também é um dos assuntos abordados, através do exemplo de Lauren Singer, do Trash is for Tossers.

Freegans distribuem comida pelas ruas de Lisboa gratuitamente

 

Se analisarmos o nosso dia-a-dia de forma consciente, reconhecemos facilmente que é comum comprarmos roupa que não precisamos, nos entusiasmamos no supermercado e acabamos por comprar artigos supérfluos, cedemos às estratégias de marketing das empresas, que nos incitam a um consumo desregrado e inconsciente, entre outros. Eu própria sinto que caio, muitas vezes, nas malhas do capitalismo que domina as massas e que, tristemente, acaba por ditar uma boa parte das normas de conduta pelas quais nos regemos.

Sempre tentei ser consciente em relação ao que consumo, e creio que essa mesma consciência tem vindo a aumentar com o passar do tempo, fruto da minha necessidade de ir ao encontro uma vida mais equilibrada e mais significativa. No fundo, o problema não reside nas marcas, nas empresas e nas suas ofertas, mas sim no consumidor. Somos nós, consumidores, quem determina os produtos em relação aos quais existe procura. Somos nós, consumidores, a chave para a mudança dos mercados. Somos nós, consumidores, quem compra. E se nós deixarmos de comprar aquilo que nos colocam estrategicamente diante da vista, a realidade mudará em conformidade.

Este documentário serviu para me alertar para aspetos que são mais do que evidentes, mas que fazem falta recordar, de forma a nos tornarmos mais alertas em relação ao nosso comportamento e ao modo como isso afeta, não só a nossa vida, mas tudo e todos.

Period. End of Sentence – A esmagar o estigma em 25 minutos [5 dias. 5 docs.]

“A period should end a sentence, not a girl’s education”. – The Pad Project

Basta investirem menos de meia hora para ficarem a conhecer um pouco daquilo que vai na mente de uma vila a 80km de Nova Deli. Este curto documentário da Netflix, vencedor de um Oscar, mostra a realidade de uma pequena comunidade rural na Índia em relação à menstruação, algo natural e necessário à espécie, mas que continua envolto em estigma em muitos meios.

Neste documentário, um grupo de jovens expõe os seus desafios do dia-a-dia por serem menstruadas. Sentem-se forçadas a abandonar a escola, são consideradas indignas por expulsarem “sangue mau” e é-lhes proibido participar em rituais religiosos porque os homens lhes afirmam que não serão ouvidas por serem sujas. Debatem-se sobre questões de igualdade, tentam colocar em prática estratégias para escapar aos casamentos forçados e aplicam a seu favor a mais poderosa das armas ao seu dispor: o espírito crítico.

Sneha quer ser polícia para ser respeitada, independente e fugir ao casamento

Mas esta curta não nos mostra apenas o mau. Também nos revela bons exemplos que estão a ser postos em prática, como é o caso de Arunachalam Muruganantham, um homem que luta pela normalização da menstruação e que inventou uma máquina que produz absorventes de baixo custo. A prática comum para controlar o sangue menstrual passa por usar qualquer tecido que se encontre e deitá-lo ao lixo a céu aberto, às escondidas e durante a noite, para que não se descubra a quem pertence. A realidade indiana traduzida em números revela-nos que menos de 10% das mulheres tem acesso a uma higiene menstrual digna, e a missão deste senhor passa pela massificação do uso de pensos absorventes, acessíveis a todas.

Arunachalam Muruganantham, o inventor da máquina de absorventes de baixo custo

É obrigatório desmistificar este tipo de assuntos perante todos, mas ainda mais importante é fazê-lo junto dos mais novos, de forma a conseguirmos, de uma vez por todas, retirar o peso negativo de algo que nos é tão natural quanto ter sede e fome. Tão natural quanto respirar! A abertura é ponto essencial para se falar do assunto. Meninas, deixem de esconder pensos e tampões dos colegas de escola e de trabalho, falem abertamente de copos menstruais. Afinal de contas, é condição necessária à vida de exige ser normalizado, como qualquer outra prática natural.

Esta curta materializa-se num documentário inspirador sobre respeito, independência e liberdade da mulher, que nos transporta a mente para uma realidade que poderá não estar assim tão distante da nossa.

E como nos diz uma das protagonistas, “O mundo não pode avançar sem mulheres. Somos as criadoras do universo.”

Ecoegg – Lavar a roupa de forma consciente

Após ter levado a cabo uma (ainda muuuito incompleta) intervenção ecológica nos meus artigos de banho e cuidado da pele, decidi investigar acerca de alternativas a nível de detergentes e demais limpezas da casa. Um dos pontos que me pareceu mais desafiante foi justamente o da lavagem da roupa, em relação ao qual rapidamente encontrei uma solução que me pareceu bastante acertada.

O Ecoegg é um sistema de lavagem de roupa produzido no Reino Unido que utiliza minerais no lugar de detergente. É gentil com a pele, bastante simples e intuitivo de se usar e existe em três versões, sendo que duas delas possuem fragrância. Dispensam qualquer outro aditivo no processo de lavagem e estão disponíveis em duas opções no que respeita a durabilidade: para 210 e para 720 lavagens. Calculando-se uma média de 4/5 máquinas de roupa por semana, durarão cerca de um ou três anos respetivamente. O melhor de tudo é que não compromete o ambiente.

Comprei o meu ovinho da Ecological kids e optei pela versão Ecoegg Fresh Linen , um suave aroma a flores, ou o típico cheirinho de roupa acabada de lavar, para 720 lavagens. O Ecoegg também pode ser usado para lavar roupa à mão.

Como usar? Muito simples!
Passo 1: Abrir o ovo;
Passo 2: Encher a parte mais longa com um saquinho de minerais pretos e três saquinhos de minerais brancos;
Passo 3: Fechar o ovo e lavar!

O Ecoegg coloca-se no tambor da máquina e deverá secar sempre entre lavagens. Ao fim de cerca de 70 lavagens – ou quando o nível dos minerais ficarem abaixo da linha do meio existente na parte mais longa do ovo – é necessário acrescentar mais minerais brancos. O custo por lavagem da embalagem mais pequena ronda os 0,085€, isto é, quase nove cêntimos, e da embalagem maior encontra-se por volta dos 0,05€. As recargas custam ligeiramente abaixo desta última.

Quanto ao resultado da roupa após a tirar da máquina, bem, está lavada, como seria de esperar! Mal se tira da máquina não se sente a fragrância, mas cá em casa, como a roupa fica a secar na marquise, sentimos um aroma subtil sempre que abrimos a porta. Não testamos lavar roupa com nódoas muito entranhadas, mas quanto a este ponto, como ocorre com qualquer outro detergente de roupa, estas teriam de ser tratadas previamente de forma a conseguirmos uma lavagem eficaz.

Ainda sobre o processo de lavagem de roupa, gostaria de adicionar à minha rotina uma Cora Ball, um sistema que capta os micro-plásticos libertados pelas fibras sintéticas. O meu drama com essa aquisição seria que destino dar às partículas captadas… Mas isso são outras histórias com as quais não se justifica ocupar a minha cabeça por agora.

Para finalizar, o único ponto negativo é o facto de o ovinho ser feito de plástico, bem como os saquinhos de acomodação das bolinhas minerais. No entanto, creio que neste caso os benefícios – para a pele, para o ambiente em geral, para a água e a conservação da vida marinha, e para a carteira – compensam. Afinal de contas, substituímos as caixas ou garrafas de detergente e amaciador, bem como os respetivos doseadores, por um ovo que compramos uma vez na vida e pequenas embalagens que podemos reciclar (sim, eu sei, apenas cerca de 12% do plástico produzido é reciclado, não sou ingénua nesse aspeto e estou mesmo a tentar fazer o meu melhor, consciente de todos os percalços que surgem pelo caminho).

Se entretanto surgir alguma dúvida que vos deixe reticentes em relação à compra de um Ecoegg, estejam à vontade para a colocar através de qualquer um dos meios disponíveis. Se o meu testemunho vos conseguir convencer a fazer esta troca, já considero o meu investimento como pago!

Zouri – A fazer do plástico gato-sapato

O plástico é um real problema do qual dependemos nos dias que correm. Aliás, de acordo com a Greenpeace, todo e qualquer plástico alguma vez produzido ainda existe no mundo, facto realmente assustador se considerarmos que são produzidos cerca de 300 milhões de toneladas a cada ano, sendo 50% dessa produção plásticos de uso único. Todos os anos, muitos milhões de toneladas de plástico são depositados no mar, colocando em risco as espécies marítimas e costeiras.

Tenho esta estranha mania de tratar com imenso carinho assuntos que me dizem muito. Lembro-me de me ter apercebido da existência da Zouri através do Instagram, a propósito de uma publicação de uma qualquer celebridade que apareceu, sem que eu o solicitasse, no meu feed. Daí até me interessar pela marca foi um instante. E seria para mim muito complicado ignorar algo que carrega consigo uma tão poderosa mensagem de esperança e vontade ser mais e melhor nos tempos que correm. Mas a minha maior surpresa em relação à marca não surgiu aí.

No penúltimo fim de semana de maio decorreu o Mercadim, um mercado sustentável organizado pela Verdim, uma associação ambiental da Póvoa de Varzim e, sabendo que a Zouri lá iria estar, não podia perder a oportunidade de ver ao vivo e a cores os modelos que já há muito me fascinavam pelas internetes.

Bem… e o assoberbada que me senti quando me apercebi do ser humano maravilhoso que estava por trás da marca. Bastou alguns minutos de conversa para compreender o quão comprometida em mudar o mundo está a Adriana Mano. Conversamos bem mais de meia hora e sei que poderíamos ficar ali uma eternidade, se fosse preciso. E foi muito bom aperceber-me que a marca é o reflexo das ideias de alguém tão honesto e cru consigo e com os outros. Falamos de dificuldades, sacrifícios, hábitos, sonhos, … E selamos a conversa com um abraço no qual senti que estávamos aqui, na Terra, com o mesmo propósito.

São sandálias e sapatilhas feitas de plástico recolhido das praias de Esposende, borracha natural, algodão orgânico e pinatex (um tecido obtido a partir de folhas de ananás). Para além dos materiais sustentáveis, bem longe das microfibras e sintéticos aos quais nos acomodamos, o calçado é produzido de forma ética e justa em Guimarães, garantindo que cada um dos pares é feito com igual detalhes e perfeição.

A Adriana recorda-nos que no que concerne à sustentabilidade, infelizmente, os produtos resultam mais caros do que o desejado, os investimentos ainda são muito altos e as coisas só funcionam “criando elos, se todos dermos as mãos e cooperamos”, de forma a que a massa critica seja capaz de levar avante uma ideia. Os modelos da Zouri são intemporais, minimalistas e lutam contra a sazonalidade típica e supérflua do mundo da moda.

Para manter a sua missão, a Zouri precisa de nós, tanto quanto o mundo precisa da Zouri. Ao apoiarmos este projeto estamos, para além de adquirir uma peça de calçado de altíssima qualidade, a apadrinhar uma ideia que quer e pode mudar o mundo. Não vos digo para irem a correr comprar por impulso um par, nada disso. Vejam se gostam e, sobretudo, se precisam de um par novo de sapatilhas ou de sandálias e, se for o caso, consideram adquirir umas Zouri. Estarão a fazer do nosso planeta um lugar melhor.

Maetura – Ou como o meu cabelo merecia um estudo de caso

Já tinha mencionado por aqui que um dos principais passos que adotei na minha busca por uma vida mais leve e com menos desperdício havia sido a substituição de artigos de banho por outros mais sustentáveis. Um desses artigos foi o champô, no entanto, como este ser com vida própria insiste em ser tão complicado quanto uma adolescente em fase crítica – com oleosidade típica da idade incluída, tive que assumir medidas mais assertivas.

A Maetura é uma marca de produtos produzidos em pequenas quantidades, com carinho e uma grande responsabilidade ambiental. Sabia que havia batido à porta certa quando me apercebi que a Carla, o gigante coração que está por trás destas criações, me fez sentir mais acarinhada e compreendida à distância do que muita boa gente com quem já me cruzei fisicamente. Ambas sofremos do mesmo: cabelo liso, escorrido, com uma absurda tendência para gerar oleosidade, mas que no fundo só precisa de generosas doses de conforto e compreensão.

Lavo o meu cabelo todos os dias e, ainda assim, muitas vezes, ao final do dia, a oleosidade faz com que ele se agarre à testa e se besunte ao couro cabeludo como se não houvesse amanhã. Ora, qualquer perspetiva que me garantisse, pelo menos, que este demónio sob a forma de fios finos e aloirado ficasse decente até à hora do recolher era uma grande alegria para mim. E assim foi. Dizia-me a Carla que quando criamos grandes expetativas em relação a algo podemos sair defraudados – e são palavras sábias, de facto – ainda assim, tal fado não sucedeu com o champô sólido para cabelos oleosos da Maetura: após a lavagem o meu cabelo fica a melhor versão possível que alguma vez vi dele.

Como este bicho teen é também fino, fraco e pseudo-rebelde (não chega a ser rebelde porque é só esquisito e teimoso) a minha compra contemplou também um amaciador igualmente sólido que aquando das primeiras utilizações gerou em mim uma imensa confusão porque, como me havia sido advertido, parece que não está a acontecer coisa alguma com o cabelo. Mas não é verdade. Até porque como sou uma moça curiosa, já experimentei lavar o cabelo e não aplicar o amaciador e acaba por gerar um pouco mais de resistência na hora de pentear.

Após ter experimentado estes artigos, não hesitei em comprar mais uns quantos champôs para oferecer a familiares e amigos que brevemente farão anos. Só espero que fiquem tão satisfeitos e encantados como eu!

Cada vez mais me fascino com os corações enormes com que me tenho cruzado nesta minha (tão) imperfeita jornada de mudança, e a Carla é certamente um deles. Cada troca de palavras deixa-me de coração aconchegado e com a certeza que num mundo repleto de gente complicada, quem é verdadeiramente bom acaba por saltar à vista.

Espreitem a página de Instagram da Maetura, certamente ficarão tão encantados como eu.

BraStop – Compras online

Depois de vos ter falado de mamas, sinto que seria verdadeiro serviço público falar-vos de um dos sites onde comprei alguns dos meus soutiens. Após a consulta que fiz na Dama de Copas e dos soutiens que lá comprei, decidi investigar sobre o assunto, pesquisar opiniões, e, por fim, atirar-me de cabeça a uma opção online mais em conta para renovar o meu arsenal.

Dei de caras com a BraStop a partir de uma publicidade. O site já não me era totalmente desconhecido, uma vez que já tinha lido opiniões de algumas meninas acerca dele, mas até se passar pela experiência não se sabe verdadeiramente com o que contar.

A página disponibiliza a opção de pesquisa por tamanho, o que facilita imenso a seleção e o tempo a investir para conseguir modelos adequados. Além disso, para cada modelo, se necessário, são-nos dadas dicas de compra acerca dos tamanhos, isto é, um fitting guide, que ajuda a uma escolha mais pensada e à prova de erros. As reviews de clientes que ajudam a fazer uma compra mais esclarecida e oferecem, ainda, uma seleção ampla de marcas. Um dos pontos que me desapontou, é a Panache, uma das marcas que mais gosto não estar disponível para Portugal.

Por último, e para mim este é o ponto fulcral desta empresa, têm uma excelente preocupação com o cliente, e digo isto na sequência de uma idiotice que fiz. Ao compor o meu carrinho de compras não me apercebi que adicionei dois soutiens exactamente iguais ao carrinho, quando queria apenas um. Só me dei conta do erro quando a encomenda estava feita e tinha recebido a confirmação no meu email. Enviei um email de imediato a perguntar se era possível remover o artigo a mais, ou até mesmo cancelar a encomenda. A resposta chegou em menos de 24h, muito descontraída e a menina que me respondeu – a Ida, nome da menina – disse que não havia problema algum, que o soutien a mais tinha sido removido e que o valor me iria ser restituído, no máximo, em 5 dias úteis.

As devoluções e trocas também são bastante simples. O saquinho em que são enviados os artigos está estruturado para servir de embalagem de devolução, e dentro dele, para além da nossa compra, acompanha a encomenda um papelinho no qual podemos assinalar os artigos que não queremos e as razões para serem devolvidos. Dos sete artigos que comprei, só fiquei contente com dois, e um terceiro foi gentilmente adotado pela minha mãe, mas faz parte. São compras online e por muito que saibamos os nossos tamanhos, as marcas e os modelos não são todos iguais. O valor foi devolvido cerca de 10 dias após o envio e entretanto voltei a repetir compras por lá.

Ah! Para compras de valor superior a 100£ (cerca de 120€), os portes são grátis, o que é ótimo para quem está mesmo a precisar de renovar o stock.

Website – BraStop.com

Alkanatur – Guia de utilização

Conhecido o conceito, fica a faltar conhecer a Alkanatur Drops, a jarra que nos veio fazer companhia cá para casa desde que a conhecemos, na Health 4 Beauty. Para além de ficarem a conhecer o quão tosca sou a seguir instruções, também ficam a saber quais os componentes e como montar o kit que vos permitirá beber uma água com pouco impacto no ambiente e grande efeito para a saúde!

Site da Alkanatur – https://alkanatur.pt/